Artigo científico de Canoa Havaiana

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Quando estava no mestrado, pesquisando sobre lesões no SUP, pensei em fazer a mesma pesquisa em Canoa Havaiana. Isso foi em 2018, não fiz a análise dos dados e nem mandei para a publicação. No final, caducou a pesquisa e refiz em 2020, comparando os dados com a de 2018. A amostra da pesquisa é do sexo feminino, poucos os homens, responderam o questionário e não fizeram parte do artigo.

A Canoa Havaiana, tem um fato super interessante e legal: quem rema de SUP, rema de canoa e vice-versa. Pelo menos no RS, é assim. E no mesmo ano, me perguntaram se não ia fazer de OC1. O RS, não tem muitos remadores ainda, desde 2019, houve pouquíssimos campeonatos e os eventos aqui. Para uma pesquisa que fosse publicável, precisaria de muitos remadores, com mais experiências, isto é, no mesmo nível de prática do SUP e Canoa Havaiana.

Na pesquisa 2018, participaram 12 remadoras e em 2020, 32 remadoras, totalizando 44. Em 2018, 05 com idade entre 31 a 40 anos e 07 com idade entre 41 a 50 anos. E no ano de 2020, eram 32 remadoras, sendo 02 remadoras tinham menos que 18 anos, 01 que tinha entre 18 e 20 anos, 03 estavam entre 21 e 30 anos, com 31 e 40 anos eram 8, entre 41 e 50 anos foram 13 e 51 e 60 anos, eram 5 remadoras.

Fatos interessantes quanto a idade das remadoras. O número de praticantes em 02 anos, aumentou bastante e inclusive a idade variou muito. Remadoras com mais de 40 anos, são mais presente em número se comparada com mais novas e a justificativa, era a posição profissional e o salário. São mulheres com a carreira estabelecida, com salário fixo e ascensão e o mais importante, estavam preocupadas com a qualidade de vida e com a velhice, procurando uma atividade física.

Quanto a dor, todas relataram sentir dor no esporte, que é normal e a predominância é a região da lombar. O mais interessante, tanto em 2018 quanto 2020, a escala de dor 4 e 5, que são as mais altas, teve poucas atletas que referiram a intensidade. O resultado se baseia no tempo de prática, em 2018, as remadoras eram novatas no esporte, onde apenas 01 referiu que tinha 05 anos de prática. Já em 2020, mesmo tendo pouca experiência, variou entre 02 a 04 anos.

Ao contrário do SUP, não houve relato de dor na região do ombro. Alguns artigos, referem que a dor na lombar é pelo tempo sentado, a flexão e rotação do tronco e a força gerada, para compensar outra remadora. E a dor na região do ombro, pode acontecer pelo atrito das estruturas ósseas e na bursa. No caso do SUP é do músculo Grande dorsal, pelo fato de ficar em pé e na OC6, a exigência dele, não é tão grande. Os autores, sugerem reforço do Manguito rotador, para prevenir a lesão.

O RS o local onde foi feita a pesquisa, apesar de termos bastante OC6 e agora o pessoal está aderindo ao OC1, o esporte não se desenvolveu muito, a adesão de remadoras e remadores é pequena, centralizada na época em 3 cidades. Como foi na pesquisa de SUP, poucos artigos sobre dor e lesão, na OC1 foi mais complicado ainda. Tem muita pesquisa no caiaque de corredeiras e na canoagem, praticamente quase nada em OC6. Muitos pesquisadores, justificam as dores, na experiência com outros esportes de remo.

Tem um fato interessante a ser ponderado na canoa havaiana, que os artigos relatam. A canoa é uma embarcação extremamente grande, sofre mais com correntezas, vento, ondas e depende de 06 pessoas para remar. Outras canoas são menores, mais leves, mais baixas, mais hidrodinâmicas e mais rápidas e são ocupadas por uma ou duas pessoas, por isso tanta diferença. Uma pesquisa com essas variáveis, é complicado de fazer e ter um bom resultado. Com tão poucas pesquisas, podemos tornar o Brasil, pioneiro na pesquisa.

O artigo pode ser conferido na integra, nesse endereço: https://www.atenaeditora.com.br/post-artigo/45912

Abraços,
Fabiano Bartmann

Fisioterapeuta e Profissional de Educação Física

Mestre em Biociências e Reabilitação

Membro da equipe Rabbit de SUP