Celular vs rádio comunicador: qual usar nas remadas?

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Primeiramente, sou fisioterapeuta e como todo profissional da área da saúde, pensa em prevenção, segurança e o famoso “antes que aconteça”.

Quando cursava Educação Física, fui convidado para ser o fisioterapeuta da equipe universitária da ULBRA, tinha 07 equipes para atender e ainda era o chefe da delegação. E na mesma época, fui convidado para ser fisioterapeuta de time de futebol feminino, de time de futebol e futsal infantil, campeonato de Taekwondo e sei lá mais o quê.

Com 12 anos, entrei para o escotismo, ali só reforçou a minha paixão pelo mato e pela natureza. Segui na vida escoteira até os 18 anos e até agora não entendo muito por que deixei o movimento, foi um erro meu. Se tem filho com 07 anos, meu conselho, escolhe um grupo escoteiro bem estruturado e coloca ele ou ela, para o futuro, faz uma diferença.

Somando os 02 fatos que relatei, sempre pensei: se acontecer alguma coisa, o que eu faço? Existem recursos para não acontecer alguma coisa? Quais itens ou equipamentos que posso ter, para caso algo aconteça? Se estou em algum lugar e não sei para onde ir, como faço para me localizar? Só para deixar registrado, entrei no escotismo em 1988.

Já pratiquei quase todos os esportes de aventura, faltam alguns, mas por diversos motivos, desisti de praticar. E sempre pensando em todas aquelas perguntas acima e sempre com uma preocupação imensa, na qual que não compartilho, muitos pensam que estragaria a diversão do passeio.

Quando comecei a remar, fui pesquisar quais os recursos, teorias, técnicas e tudo mais que envolvia a segurança nos esportes náuticos. E a primeira coisa que pensei: como chamar o resgate? Sim, do que adianta ter GPS ou colete salva-vidas, se não consigo sair do lugar.

O celular, com a minha experiência com Mountain Bike, descobri que não funcionava. No mato, não tem sinal, nem de celular e nem de GPS. E outra coisa que aprendi lá: celular quando superaquece, para de funcionar como uma mensagem de aviso e desliga e tem outro risco mais perigoso, a bateria pode explodir.

Já tentaram usar o celular em dia de chuva? Eu tive alguns celulares à prova de água. Um deles, a pessoa não me escutava e depois, descobri que tinha água no microfone, precisava bater, para tirar a água. O outro era touch, clicava no 5 e aparecia 555555, apertava no 9 e aparecia 999999. O touch do celular é por eletricidade, não por pressão, com a água, propaga essa eletricidade. Por esse motivo, quando aperta um número específico, aparece vários. Mas na água o sinal do celular é melhor, vão dizer. Sim, já conversei com técnicos em telefonia celular, me explicaram isso, mas se eu precisar usar, vou conseguir digitar números? Com frio e cansado, vou conseguir desbloquear, achar o número, clicar em ligar e falar?

Já comentei bastante sobre celular, agora, vamos para os rádios. O walkie talk, é um rádio de comunicação entre pessoas, não para embarcações. Em água aberta, usamos rádios náuticos, onde a Marinha, Bombeiros, clubes, marinas e outras embarcações, estão sempre conectados e utilizando o canal 16. Para passeios o walkie talk funciona, mas para resgate, tem que ser náutico e que serve como walkie talkie também, mudando o canal.

No Brasil, existem poucas opções de marca de rádio: Icom, Uniden e Baofeng. Isso em rádio portátil, para embarcações, onde o mastro é a antena, tem mais opções. O preço entre eles varia e muito, mas muito mesmo. Na ordem que postei as marcas, é do mais caro para o mais barato. O Baofeng, é uma marca chinesa e em qualidade de rádio, tem se mostrado muito bom.

Quanto a opinião de uso, isso é pessoal. Conversando num clube náutico, que é referência no Brasil e no mundo em vela, aqui em Porto Alegre, eles disseram que usam celular. Sempre vai funcionar e que rádio, não era necessário. De novo, é uma questão de opinião, eu prefiro rádio. E tem outra coisa, eles sempre navegam na costa (não temos muita opção de deslocamento aqui) ou sempre saem com bote de apoio.

Nos esportes de aventura, quando questionam o valor de um equipamento de segurança, perguntamos: quanto custa a tua cabeça? Quanto custa o teu joelho? Quanto custa a tua coluna? E quanto custaria tu ser localizado e voltar com segurança? Vamos remar com segurança e poder continua a se divertir.

Abraços,

Fabiano Bartmann

Fisioterapeuta e Profissional de Educação Física

Membro da equipe Rabbit de SUP