Pesquisas científicas em SUP

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A vida de pesquisador, nunca é fácil, depende de inúmeros fatores e de pessoas. Quando fazemos uma pesquisa de entrevista, mais que 50% dos questionários respondidos, é uma vitória a ser comemorada. Sabemos que as pessoas são avessas a responder pesquisas.

Outro fator que é complicado, é conseguir amostras para a pesquisa. Marcam, não aparecem, cansaram de ser amostra, não cumpre os protocolos, ficam doentes, se lesionam e no caso das mulheres, tem os fatores endócrinos que interferem e muito.

Sem falar dos fatores externos como temperatura do ambiente do laboratório, equipamentos que falham, estragam, acabam, o estagiário que fez errado, choveu, está frio, está quente e o custo de cada material.

Tirando as coisas “complicadas”, se fosse tão ruim assim, não teria pesquisa e muito menos pesquisadores.

No ano passado, pesquisando para a dissertação do mestrado, tive muita dificuldade de achar material sobre lesão no SUP e o meu orientador me aconselhou a pesquisar no remo, que é o esporte mais próximo e bem antigo, com certeza ia encontrar material para subsidiar a fundamentação do meu trabalho.

Considera-se o SUP relativamente novo e por esse motivo, não tem muitas pesquisas científicas sobre esse assunto especificamente. Encontrei muitas pesquisas sobre o desenvolvimento no turismo e no âmbito escolar, mas sobre treinamento e lesão, quase nada.

Na minha pesquisa, encontrei sobre a história do SUP, era uma forma de transporte entre ilhas, para buscar suprimentos e pescar. Mas não era considerado esporte e nem tinha esse nome. Por volta de 1960, surfistas chamados de Beach Boys Havaianos, professores de surf em Waikiki, usavam grande pranchas e remavam nelas, para tirar fotos dos alunos e aspirantes do Surf da época. Desde então teve um desenvolvimento tímido, até os anos 2000 ainda no Havaí e ganhou grandes proporções com Laird Hamilton, Dave Kealana e chamados watermans, com pranchas mais modernas e equipamentos mais sofisticados, usaram o SUP como treinamento, realizando travessias de longa distância e pegando onda.

Mas foi em 2004, que o SUP se tornou internacional, com o “Buffalo Big Board Contest”, no Havai, com 49 participantes e incluindo surfistas do Campeonato mundial. O evento foi idealizado pelo Buffalo Keaulana, que desejava manter vivo o espírito dos esportes de água polinésios, apresentando um evento mais divertido e num formato diferente de competições tradicionais.

De 2004 para 2019, se passaram 15 anos, considerado um tempo muito curto para ter materiais de qualidade e em grande quantidade. Para se ter uma ideia, qualquer tipo de material ou equipamento, para saber se é nocivo ao ser humano, precisa de 10 anos para comprovar os efeitos. Temos muita ciência para desenvolver ainda.

E os técnicos, preparadores físicos, atletas Profissionais de Educação Física e fisioterapeutas, não escrevem? Não tem interesse em publicar? A resposta é não.

Para escrever e publicar, tem todos aqueles aspectos que citei acima. E para fazer a pesquisa, quase com certeza, teria que ser feita com uma universidade pública. Aonde? Como fazer? De que forma fazer? Como é muito burocrático e complexo, a maioria não tem interesse e incentiva quem quer.



Vamos publicar!!!!



Fabiano Bartmann

Fisioterapeuta – CREFITO 5 / 50266-F

Profissional de Educação Física – CREF 9768-G/RS

Mestre em Biociências e Reabilitação

Especialista em Acupuntura

Professor da Faculdade Sogipa

Bicampeão Gaúcho de SUP Race Master - 2017 e 2018

Membro da equipe Rabbit de SUP